Arte com realidade aumentada em mostra gratuita 

O artista Achiles Luciano, um dos nomes mais expressivos da arte digital negra contemporânea, inaugura uma nova fase de sua trajetória com a exposição ID Corpos Negros’, aberta ao público no Edifício Oswald de Andrade, no centro de São Paulo. A mostra, gratuita, integra o calendário do Novembro Negro e apresenta 10 obras inéditas que utilizam realidade aumentada (RA) para criar experiências imersivas e multicamadas.

Unindo afrofuturismo, ficção científica e ancestralidade, Achiles reafirma seu protagonismo na pesquisa de novas tecnologias aplicadas à estética afrodiaspórica. Sua produção, que transita entre pintura, audiovisual expandido, live painting e RA, evidencia como artistas negros têm reconfigurado os territórios digitais e tecnológicos no Brasil.

Para ele, a narrativa não-linear é parte crucial da experiência de ‘ID Corpos Negros’, se assemelhando às reflexões do escritor e filósofo Nego Bispo. Nas palavras do artista e idealizador da mostra, cada perspectiva se revela em uma nova experiência expográfica, desdobrando-se em camadas da história, arte e cultura afrodiaspórica, que se entrelaçam e enriquecem a jornada do visitante.

A mostra ‘ID Corpos Negros’ é o fragmento de um sonho que começa a se realizar.
Nascido do meu fascínio por histórias de ficção científica, o projeto expressa uma inquietação antiga: perceber como a tecnologia, cada vez mais presente no nosso cotidiano, parece materializar aquilo que antes só existia nas páginas da imaginação, nos gibis, em filmes de ficção. Com esse trabalho, proponho uma travessia visual que oscila entre o real e o digital, o lúdico e o surreal. Uma experimentação artística que funde a arte mista com reflexões pessoais, mas que também toca questões mais amplas sobre identidade, ancestralidade e futuro”, explica Achiles Luciano

O projeto, que celebra mais de três décadas de trajetória artística de Achiles Luciano, consagra um momento especial da arte contemporânea negra com as pesquisas em novas tecnologias que ele vem conduzindo. “Nos anos 1990, minha expressão era essencialmente pictórica — eu só pintava. O audiovisual entrou timidamente na minha trajetória, começando em 2008 e 2009. Nesse período, enquanto pesquisava sobre arte digital, montei meu primeiro set usando o Tagtool, um software aberto da época que permitia criar animações com joystick e realizar pinturas digitais ao vivo por meio de projeção. Batizei essa experiência de “grafite digital”.

Nesse contexto, o artista se firma como um dos grandes nomes da live painting, expressão que se conecta com sua vivência nas jam sessions e nas noites de jazz e blues no emblemático clube Urbano. Seu trabalho, em diálogo com o improvável e o espontâneo, revela a pintura ao vivo como uma força estética fundamental, capaz de traduzir a própria essência de uma cidade que nunca parou de se reinventar.

Natural de São Paulo, Achiles Luciano ficou conhecido na cena da arte digital negra por construir narrativas que expandem o olhar sobre memória, território e identidade. Após a performance de videomapping no projeto Pavilhão Aberto da Fundação Bienal de São Paulo (2025), o artista provoca um entrelaçamento entre o sci-fi e a ancestralidade afrodiaspórica, em um autorretrato da comunidade negra

[Exposição ‘ID Corpos Negros, de Achiles Luciano]
Onde: Complexo Cultural Oswald de Andrade, na Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo – SP, 01123-000
Quando: de 15 de novembro a 14 de dezembro
Dias e horários da exposição: de terça a domingo, das 10h às 20h

                                                    sábado e domingo, das 09h às 18h

Gratuito

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