Pinacoteca de São Paulo imagina novos mundos possíveis em exposição coletiva

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta Era uma vez: visões do céu e da terramostra coletiva que chega à Grande Galeria do edifício Pina Contemporânea no dia 25 de outubro. Organizada por Ana Maria Maia, Lorraine Mendes e Pollyana Quintella, a mostra reúne trabalhos de 34 pessoas artistas, brasileiras e estrangeiras, de diferentes gerações, que fazem uma viagem no tempo e no espaço para refletir sobre o fim do mundo e imaginar novos inícios. Obras como Era uma vez (2002), de Steve Mcqueen, e uma grande pintura realizada especialmente para a exposição, de Sueli e Isael Maxacali com Aldeia Escola Floresta Maxacali, podem ser vistas pelo público.

A mostra investiga o pensamento cosmológico das pessoas artistas, desde o período de 1969 – ano que marca os eventos históricos da chegada do homem à Lua e da divulgação do primeiro relatório da ONU sobre “Problemas do meio ambiente urbano” – até os dias de hoje, em que a relação predatória da humanidade com o planeta colocou as questões ambientais como tema central no debate ao redor do globo. Em Era uma vez, as pessoas artistas fazem diagnósticos e imaginam outras realidades possíveis – misturando abordagens documentais, especulativas e ficcionais.

Do céu para a Terra 

A exposição se divide em três momentos. Ao entrar na Grande Galeria e seguir pelo corredor, o visitante percorre uma série de obras que olham para o espaço sideral, em uma tentativa de conhecer e imaginar para além da Terra. Podem ser vistas obras comoYauti in Heavens (Saturno, Lua aterrissagem e Lua Chegada) (1988-9), de Regina Vater, Olho da noite (2023), de Mayana Redin, e My three inches comet(1973), de Iole de Freitas, entre outras. O corredor termina no trabalho de Steve McQueen, Era uma vez (2002), que dá título à exposição. Em 1977, a NASA envia uma série de fotos para o espaço, com o objetivo de mandar registros da vida no planeta para extraterrestres. McQueen apresenta 116 dessas imagens, explicitando uma narrativa nostálgica construída por cientistas norte-americanos, que reuniram uma finita seleção de imagens que simulam a vida na Terra, sem considerar questões como a miséria, guerras e conflitos religiosos.

No espaço central da galeria, artistas olham do céu para um planeta em disputa, ao mesmo tempo em que pensam sobre formas de se conectarem com a Terra. Em Bovinocultura XXI (1969), de Humberto Espínola, o artista traz um chifre de gado agigantado para tratar das ambivalências do agronegócio, que destrói o meio-ambiente para gerar riqueza de maneira inconsequente. Transamazônica (2014), de Luciana Magno, faz uma crítica as obras da construção da rodovia federal BR-230, mais conhecida como Transamazônica, que resultaram em uma grande frente de desmatamento no norte do país.

Ainda na mesma sala, a relação das pessoas artistas com o planeta é definida por meio de conexões ancestrais e espirituais. Jota Mombaça, no filme O nascimento de Urana Remix (2020), vive a experiência de se enterrar na terra, se tornando parte do todo. As pinturas e peças de cerâmica de Isael e Sueli Maxacali partem da mitologia de que o povo Maxacali surge do barro, fazendo da arte um processo de criação de tradição. Outra artista que usa o barro como material de produção é Celeida Tostes, que traz à entrada da Grande Galeria um de seus Guardiões (anos 1980), sugerindo vínculos de espelhamento e proteção com as forças divinas. Obras como a Série Tudo que se vê no caminho (2023) de Carla Santana, que compõe o acervo do museu desde 2023, também pode ser vista pelo público.

A especulação imaginativa  

Com a ascensão do Antropoceno – termo utilizado para designar o impacto global das atividades humanas no planeta – as pessoas artistas nos convidam a conceber novos mundos, a partir de movimentos de resistência e de imaginação radical. Nesta parte da exposição, artistas como Yhuri Cruz se ancoram na especulação imaginativa e nos levam a novos universos, como o de Revenguê (2023). A instalação-cena recebe seis artistas ao longo da mostra para ativação da obra, encenando uma ficção inspirada na estética da ópera espacial e no afrofuturismo para contar a história de Plenér e Revenguê, dois planetas vizinhos que habitam Escura, um sistema planetário inventado por Cruz, que também é dramaturgo.

A artista colombiana Astrid González apresenta uma sociedade livre em Drexciya (2023), obra que integra vídeos, imagens, esculturas e desenhos para criar uma comunidade subaquática descendente de mulheres grávidas que foram jogadas ao mar em travessias de navios que transportavam pessoas escravizadas entre 1525 e 1866. Ainda, no formato documentário, a mostra exibe o trabalho da Feral Atlas, uma plataforma de divulgação científica coordenada pelas antropólogas Anna L. Tsing, Jennifer Deger e Alder Keleman Saxena e pela artista Feifei Zhou. O arquivo cataloga uma série de “universos” criados por fungos, vírus e seres mutantes que surgem no Antropoceno, a partir dos impactos de grandes infraestruturas construídas pelos humanos. A consulta online à plataforma também é possível na galeria expositiva.

A exposição Era uma vez: visões do céu e da terraconta com catálogo que reúne uma coletânea de 19 textos selecionados, alguns escritos por integrantes da mostra, como Yhuri Cruz e Jota Mombaça. O catálogo abrange ensaio, poesia, manifesto, relato oral transcrito, entre outros, articulando um mosaico de vozes, práticas e epistemologias. A exposição tem o patrocínio de Itaú Unibanco e Rede, na cota Platinum.

Era uma vez: visões do céu e da terra 

Período: 25.10.2024 a 21.04.2025

Curadoria: Ana Maria Maia, Lorraine Mendes e Pollyana Quintella

Pinacoteca Contemporânea (Grande Galeria) 

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

Quintas-feiras com horário estendido B3 na Pina Luz, das 10h às 20h (gratuito a partir das 18h)

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